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Thursday, November 30, 2006

SOU UM FETO QUERO VIVER - pela revista Listen - AMY YINGLING

Sou um feto. Encontro-me no processo de me transformar num bebê. Durante horas a fio, mamãe fica em empurrando de um lado para outro, causando-me grande desconforto. Você, por certo, acha que ela deveria saber que está me machucando e evitar essa movimentação
Estou envolvido por um líquido protetor, o qual impede que eu sofra lesões mais sérias quando mamãe me atinge com seus empurrões. Costumo beber esse líquido quando sinto sede. Algumas vezes, percebi que tinha uma consistência diferente e me fazia sentir uma espécie de excitação seguida de entorpecimento. Não podia sentir meu sangue correndo através de todos os vasos. Parecia-me que alguns estavam entupidos. Mas espera um pouco! Acabo de ouvir alguém falando a respeito de alguma coisa chamada álcool. Deixe-me ouvir melhor.
Estão dizendo que essa substância líquida tem cheiro de álcool. Isso não me faz sentido, pois não sei o que é álcool, embora já tenha ouvido falar dele antes. Um dia desses mamãe foi ao consultório médico e o doutor explicou-lhe que o álcool é uma droga. Disse ainda que se ela não parasse de usar bebidas alcoólicas, poderia nascer com alguns defeitos, e que eu não seria um bebê normal.
Ela porém , continuou a me fazer beber aquele líquido que estava me fazendo ficar doente. Não quero ser diferente dos outros bebês.
Ultimamente, estou me sentindo um tanto agitado. O problema é que não consigo fazer todos os movimentos que deveria corresponder ao meu desenvolvimento normal. Percebo que alguma coisa não está bem. Acho que isso tem a ver com algumas das primeiras coisas que posso me lembrar. Eu estava ocupado na tarefa de acrescentar novas partes ao meu corpo, quando mamãe bebeu grande quantidade de álcool. Depois disso, eu não pude completar a tarefa tão bem quanto antes. Nem mesmo cheguei a terminar o trabalho. Tive que passar para outra fase.
Por causa desse líquido que mamãe me fez beber, não pude formar todas as partes do meu corpo tal como os outros bebês: meu rostinho está achatado entre os olhos e meus olhos quase não se abrem; tenho visão dupla, porque sou vesgo; minhas pernas não possuem a curvatura correta e sou magro e pequeno. Minha cabeça também é pequenina.
Enquanto eu estava tentando fabricar as células do cérebro, mamãe continuava a beber álcool. Eu procurava fazer rapidamente meu trabalho, confeccionando minhas células cerebrais, mas o álcool destruía parte do meu esforço. Agora, tenho pouca capacidade de raciocínio.
Ouvi o médico dizer que o álcool é a terceira maior causa do retardamento mental, e eu provavelmente serei um retardado, um idiota. Ele explicou também que o Instituto Nacional de Saúde fez um estudo envolvendo 350 crianças de sete anos de idade, e descobriu que 46% dos que nasceram de mães alcoólatras tinham um índice de QI abaixo de 79. Verdadeiros retardados mentais.
Há um cordão que sai da minha barriga, chamado cordão umbilical, que me prende a um tecido interno na barriga da mamãe, a placenta. Ele serve para conduzir a mim todos os alimentos. Aparentemente, o álcool atinge meu organismo através da placenta e do cordão umbilical.








O médico contou à mamãe que por causa do meu tamanho em comparação ao dela, havia dez vezes mais álcool circulando em meu sangue. Se ela, por exemplo estivesse com uma porcentagem de 0,045 de álcool no sangue, eu teria 0,45. Mamãe não sabia bem o que isso significava, por isso, o doutor resolveu explicar melhor.
Se mamãe tivesse 0,045 de álcool no sangue, isso significaria para ela uma leve intoxicação. Entretanto, mesmo pesando 63 quilos, se o seu sangue contivesse 0,45% de álcool ( dez vezes mais ) ela entraria em coma. Ele lhe perguntou quanto ela achava que eu devia estar pesando. Uns dois quilos, foi sua resposta. Então o médico procurou mostrar-lhe o quanto essa porcentagem de álcool poderia prejudicar meu corpinho.
O papai também falou a mamãe acerca de uma mulher chamada Christt Ulleland. Ela fez um estudo em bebês de mães alcoólatras e concluiu que todos eles tinham defeitos semelhantes. Eram menores e pesavam menos que os demais bebês. A esse problema ela denominou Fetal Alcohol Sydrome ( Síndrome Fetal do Alcoolismo).
Papai explicou outras diferenças entre os bebês normais e os demais atingidos pela Síndrome do alcoolismo. Uma criança subnutrida, por exemplo, atinge o tamanho de uma outra saudável por volta dos quatro anos de idade, enquanto um bebê filho de mãe alcoólatra, atingido pela SFA, alcança apenas dois terços da média normal; seu peso fica situado em torno de 50% da média e sua estrutura será menor por toda a vida. Ora, eu não quero ser uma criança menor que as outras.
Mamãe é uma dessas pessoas que são chamadas alcoólatras crônicas. Isso significa que ela necessita de doses maiores para demonstrar os efeitos aparentes do álcool. Não quero dizer porém, que por essa razão ela é menos afetada. Seu corpo já está habituado ao consumo do álcool, o que retarda os efeitos visíveis da embriaguez.
Certa noite papai citou um trecho da Bíblia para mamãe. O texto relatava que o anjo foi encarregado de instruir a mãe de Sansão para que não bebesse vinho ou bebida forte durante a gravidez.
Como eu gostaria que mamãe tivesse dado ouvidos a todas essas coisas que lhe foram ditas. Não é somente a ela que o álcool afeta, mas principalmente a mim. Aqui estou, tentando me tornar um feto bem desenvolvido, mas a bebida me atrapalha.
Mamãe agora está me empurrando com mais força. Sinto meu corpo esticado. Posso ver um raio de luz brilhando em direção ao meu rosto. Estou nascendo! Cheguei ao mundo exterior! O médico e as enfermeiras olham para mim. Estão dizendo que pareço muito agitado e nervoso. O médico explica ao papai que isso é por causa das bebidas alcoólicas que mamãe bebeu durante a gravidez. O meu sistema nervoso central tornou-se dependente do álcool. Meu desenvolvimento foi retardado.
Agora estão me levando para junto da mamãe para que ela me veja. O médico me coloca nos braços dela, mas ela me empurra e vira o rosto para o outro lado. E começa a chorar. Eu não compreendo. Não sou culpado pela minha aparência. Você é que me tornou assim.

Mamãe. Abrace-me.
FORÇA DE VONTADE


O Firme desejo de possuir uma vontade forte, positiva, é coisa simples. Todavia, aplicar, executar, movimentar essa vontade, e assim tornar realidade àquele firme desejo, é coisa completamente diferente.
Muita pessoa tem sido inspiradas profundamente pelo ideal de uma vontade forte, porém as dificuldades começam quando se dispõem a pôr em ação essa faculdade. A tentativa fracassa muitas vezes e o resultado muitas vezes é que muitos abandonam o seu próprio aperfeiçoamento. Jovens e adultos concordam em que há necessidade de se educar à vontade para uma vida melhor. Porém quando começam a pôr em ação certas normas destinadas a fortificá-las, abandonam a luta, pois “dá muito trabalho”. E arranjam mil desculpas para seguir métodos de aperfeiçoamento. A verdade, no entanto, é que não possuem bastante fibra para modificar a maneira de viver. Não compreendem que a conquista de uma vontade forte é um grande prêmio.
O que se entende por força de vontade? - Força de vontade é aquela quantidade que mantém o homem no caminho do seu objetivo, apesar de todas as contingências e obstáculos. É o homem livre para decidir se começa ou não um “ato voluntário “.
É o indivíduo que determina e inicia tal ato. Se eu quero mover um braço, é algo que depende de mim. Tenho a liberdade de fazê-lo. Pode-se ainda definir “Força de Vontade” como a capacidade de estabelecer objetivos e alcançá-los. O poder que o homem possui de proceder livremente, o que nele luta com o objetivo de progredir e realizar - eis a vontade. É a força criadora, resumindo no homem, o poder de resistência ao mal e a direção para o bem. Pode-se ainda definir a vontade como a faculdade que o homem possui de se determinar livremente à prática de atos. Dessa definição deduz-se que a vontade é energia em potencial e que a energia é vontade em ação. A vontade deve ser dirigida sempre de forma contínua, nunca a saltos. Uma das chaves para se chegar a resultados compensadores no campo das realizações consiste em não se atrasar nem se antecipar o esforço. De nada adianta forçar-se a maquina durante alguns dias para declinar depois e em seguida, fazer com que ela renda o Maximo. Nessas condições acusando uma “vontade de ação descontinua” o trabalho resultante de um esforço mal aplicado, resultará em perda de energia, necessitando, portanto de unidade e harmonia. Ninguém que viva a saltos, ou seja, por impulsos, pode realizar qualquer coisa de valor. Se um individuo desenvolve uma ação de vontade abaixo do que necessita, desperdiça uma força que poderia ser aproveitada depois. Se cai no oposto, por excesso de otimismo, de superconfiança, corre o risco de cair de muito alto., para ter que começar tudo de novo. A vontade não deve exercer-se em oposição com o dever; são duas forças que não podem agir separadamente. A maior luta é no principio da prática ou formação de um novo hábito de vontade. Todas as forças das pessoas devem ser empregadas nesse sentido. Mas, ganha a primeira batalha, passa a sustentar uma luta moderada que, aos poucos irá se tornando mais leve, até ser completamente vencida. Desde que a vontade adquira um hábito, é preciso evitar cometer uma só falta, pois se isto acontecer, terá que voltar ao principio. Quando esse hábito se torna firmemente impresso na mente, torna-se como que natural e, assim, mais fácil de ser levado adiante. É necessário trazer a fixidez de propósitos. Aprender a antever um objetivo e a deseja-lo sinceramente, depois fixar nesse objetivo a sua vontade, por fim, dirigir-se para ele em linha reta, não importa, porém que se desvie dessa linha reta por circunstâncias não previstas, nem quanto tempo pode enganar-se. O certo é que se deve trazer na mente o que se procura e se estar certo de alcança-lo. O homem fraco, passivo, manifesta pouca vontade e não realiza nada na vida.

Você e mais forte do que pensa...





"Perdoar não quer dizer esquecer!
Significa não permitir que o passado de alguém seja o argumento para aceitá-lo ou não. Perdão não significa dizer sim para uma falta cometida no passado, porém dizer sim para a pessoa que no passado cometeu uma falta."

“Nosso código é o amor e a tolerância pelos outros.”

Descobri que preciso perdoar aos outros em todas as situações, para manter qualquer progresso espiritual real. A importância vital do perdão não pode ter sido óbvia para mim à primeira vista, mas meus estudos me diziam que todo o grande professor espiritual tinha insistido fortemente nisso. Devo perdoar as injúrias, não apenas com palavras, ou como uma formalidade, mas dentro do meu coração. Não faço isto por amor às outras pessoas, mas para o meu próprio bem. Ressentimento, raiva ou o desejo de ver alguém punido, são coisas que apodrecem minha alma. Tais coisas me prendem aos meus problemas como cadeias. Eles me amarram a outros problemas que não têm nada a ver com o problema original.
“Lembre-se de que a felicidade não depende de quem você seja ou dos bens que você tenha; depende apenas e tão-somente da maneira como você pensa”. Dale Carnegie
Quando você determina na sua mente que alguma coisa é possível de realizar, você já deu um passo significativo na obtenção daquilo que você deseja alcançar. Imediatamente após você se conscientizar de que pode atingir aquele determinado alvo - e de muitas maneiras -, no mesmo instante você começa a se beneficiar desse alvo.
Obviamente que a conquista de realizações requer mais do que apenas saber que é possível alcançar o que você tanto anseia. Contudo esses esforços vêm mais rapidamente na medida em que você se conscientiza de que certamente você pode alcançar aquele sonho.
Moody, o notável evangelista, costumava dizer: "Eu e Deus sempre somos maioria". Isso é tudo de que você precisa: uma determinada confiança e dependência no Deus que torna os impossíveis uma exuberante e possível realidade.
Fábula- 1

Há uma história a respeito de um coelho que caiu num buraco profundo, na floresta.

Ele pulou para cima e para baixo dentro do buraco sem parar, tentando sair, mas sem conseguir sucesso.

Muitos outros animais da floresta vieram observar o acontecimento, condoídos da sorte do coelho, expressando sentimentos de conforto e simpatia. Mas, claro, ninguém ajudou.

Por fim, todos foram embora.

No dia seguinte, quando voltaram para continuar observando, encontraram o coelho sentado calmamente ao lado de uma árvore perto do buraco.

· “Você saiu!”, exclamaram os animais, surpresos.

· Como conseguiu?”

· Bem, respondeu o coelho, “essa árvore grande começou a cair sobre o buraco, portanto... eu precisava fazê-lo.”

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Fábula- 2
Diz uma antiga fábula que um camundongo vivia angustiado com medo do gato. Um mágico teve pena dele e o transformou em gato. Mas aí ele ficou com medo de cão, por isso o mágico o transformou em uma pantera. Então ele começou a temer os caçadores. A essa altura o mágico desistiu.
Transformou-o em camundongo novamente e disse: "Nada que eu faça por você vai ajuda-lo, porque você tem apenas a coragem de um camundongo.
É preciso coragem para romper com o projeto que nos é imposto. Mas saiba que coragem não é a ausência do medo é sim a capacidade de
avançar, apesar do medo; caminhar para frente; e enfrentar as adversidades, vencendo os medos... "
VOCÊ DEVE PROCURAR O AA.?


Somente você poderá determinar se o programa de AA. – a maneira de viver de AA. – tem algum sentido para você e pode ajudá-lo.
É uma decisão que você terá que tomar por sua própria conta. Ninguém em AA. poderá fazê-lo por você.
Nós, que hoje somos membros, ingressamos em AA. porque reconhecemos que a bebida havia se convertido em um problema que não podíamos controlar sozinhos. A princípio, muitos de nós não queríamos admitir que não conseguíamos mais parar de beber. Porém, quando membros veteranos de AA. nos contaram que, para eles, o alcoolismo era uma doença que, como a diabete, podia ser detida, começamos a procurar em nós mesmos os sintomas dessa enfermidade.
Encaramos os fatos referentes a esta doença em particular, da mesma forma com que enfrentaríamos, qualquer outro problema sério de saúde. Demos respostas honestas às perguntas realistas sobre nossa maneira de beber e seus efeitos na nossa vida cotidiana.
Eis algumas das perguntas que tivemos de responder. Sabemos por experiência própria que qualquer pessoa que responder SIM a QUATRO ou mais destas doze perguntas, tem claras tendências para o alcoolismo (e poderá já ser um alcoólico).
Por que não tentar, você mesmo, responder a estas perguntas? Lembre-se que não há desonra em admitir que você tem um problema de saúde. Se existe realmente um problema, o importante é solucioná-lo.
Doze perguntas às quais somente você pode responder
1 - Já tentou parar de beber por uma semana (ou mais), sem conseguir atingir seu objetivo? - Muitos de nós "largamos a bebida "muitas vezes antes de procurar AA. Fizemos sérias promessas aos nossos familiares e empregadores. Fizemos juramentos solenes. Nada funcionou até que ingressamos em AA. Agora não lutamos mais. Não prometemos nada a ninguém, nem a nós mesmos. Simplesmente esforçamo-nos para não tomar o primeiro gole hoje. Mantemo-nos sóbrios um dia de cada vez.
2 - Ressente-se com os conselhos dos outros que tentam fazê-lo parar de beber? Muitas pessoas tentam ajudar bebedores problema. Porém, a maioria dos alcoólicos ressente-se com os "bons conselhos" que lhe dão. (AA não impõe esse tipo de conselho a ninguém. Mas, se solicitados, contaríamos nossa experiência e daríamos algumas sugestões práticas sobre como viver sem o álcool.)
3 - Já tentou controlar sua tendência de beber demais, trocando uma bebida alcoólica por outra? - Sempre procurávamos uma fórmula "salvadora" de beber. Passamos das bebidas destiladas para o vinho e a cerveja. Ou confiamos na água para "diluir"" a bebida. Ou, então, tomamos nossos goles sem misturá-los. Tentamos ainda beber somente em determinadas horas. Porém, seja qual for a fórmula adotada, invariavelmente acabamos embriagados.
4 – Tomou algum trago pela manhã nos últimos doze meses? - A maioria de nós está convencida (por experiência própria) de que a resposta a esta pergunta fornece uma chave quase infalível sobre se uma pessoa está ou não no caminho do alcoolismo, ou já se encontra no limite da "normalidade" no beber.
5 – Inveja as pessoas que podem beber sem criar problemas? - É óbvio que milhões de pessoas podem beber (às vezes muito) em seus contatos sociais sem causar danos sérios a si mesmo, ou a outros. Você parou alguma vez para perguntar-se por que, no seu caso, o álcool é, tão freqüentemente, um convite ao desastre?


6 – Seu problema de bebida vem se tornando cada vez mais sério nos últimos doze meses? - Todos os fatos médicos conhecidos indicam que o alcoolismo é uma doença progressiva. Uma vez que a pessoa perde o controle da bebida, o problema torna-se pior, nunca desaparece. O alcoólico só tem, no fim, duas alternativas: (1) beber até morrer ou ser internado num manicômio, ou (2) afastar-se do álcool em todas as suas formas. A escolha é simples.
7 – A bebida já criou problemas no seu lar? - Muitos de nós dizíamos que bebíamos por causa das situações desagradáveis no lar. Raramente nos ocorria que problemas deste tipo são agravados, em vez de resolvidos, pelo nosso descontrole no beber.
8 – Nas reuniões sociais onde as bebidas são limitadas, você tenta conseguir doses extras? - Quando tínhamos de participar de reuniões deste tipo, ou nos "fortificávamos" antes, ou conseguíamos geralmente ir além da parte que nos cabia. E freqüentemente continuávamos a beber depois.
9 – Apesar de prova em contrário, você continua afirmando que bebe quando quer e para quando quer? - Iludir a si mesmo parece ser próprio do bebedor problema. A maioria de nós que hoje nos encontramos em AA., tentou parar de beber repetidas vezes sem ajuda de fora. Mas não conseguimos.
10 – Faltou ao serviço, durante os últimos doze meses, por causa da bebida? Quando bebíamos e perdíamos dias de trabalho, freqüentemente procurávamos justificar nossa "doença". Apelamos para vários males para desculpar nossas ausências. Na verdade, enganávamos somente a nós mesmos.
11 – Já experimentou alguma vez "apagamento" durante uma bebedeira? Os chamados "apagamentos" (em que continuamos funcionando sem contudo poder lembrar mais tarde do que aconteceu) parecem ser um denominador comum nos casos de muitos de nós que hoje admitimos ser alcoólicos. Agora sabemos muito bem quais os problemas que tivemos nesse estado "apagado" e irresponsável.
12 – Já pensou alguma vez que poderia aproveitar muito mais a vida, se não bebesse? - AA., em si, não pode resolver todos os seus problemas. No que se refere, porém, ao alcoolismo, podemos mostrar-lhe como viver sem os "apagamentos" as ressacas, o remorso ou o desconsolo que acompanham as bebedeiras desenfreadas. Uma vez alcoólico, sempre alcoólico. Portanto, nós em AA. evitamos o "primeiro gole". Quando se faz isto, a vida se torna mais simples, mais promissora e muitíssimo mais feliz.
Qual foi a contagem? - Respondeu SIM quatro vezes ou mais? Em caso positivo, é provável que você tenha um problema sério de bebida, ou poderá tê-lo no futuro.
Por que dizemos isto? Somente porque a experiência de milhões de alcoólicos recuperados nos ensinou algumas verdades básicas a respeito dos sintomas do alcoolismo – e de nós mesmos.
Você é a única pessoa que poderá dizer, com certeza, se deve ou não procurar o AA. Se a resposta for SIM, teremos satisfação em mostrar-lhe como conseguimos parar de beber. Se ainda não puder admitir que você tem um problema de bebida, não faz mal. Apenas sugerimos que você encare sempre a questão com mentalidade aberta. Se algum dia precisar de ajuda, teremos satisfação em recebê-lo em nossa Irmandade.







“18 Perguntas Básicas sobre ALCOOLISMO”

01) O que é alcoolismo? Para a maioria dos membros de AA. O alcoolismo é uma doença progressiva e incurável, é a combinação de uma sensibilidade física ao álcool com uma obsessão mental pela bebida. Mas não há pecado algum em ser doente, o importante é encarar a realidade da própria doença e aproveitar-se da ajuda disponível, porém, é necessário que exista o desejo profundo de recuperar-se.

02) Como saber se sou realmente um alcoólico? Costuma-se dizer em AA. Que ninguém é um pouco alcoólico. Ou você é ou não é. E somente o indivíduo envolvido poderá dizer se o álcool para ele se tornou um problema incontrolável. Se estiver pronto a admitir, então foi dado o primeiro passo em direção a uma sobriedade agradável e contínua.

03) Poderá um alcoólico voltar a beber “normalmente? Uma vez que o indivíduo tenha atravessado a fronteira entre beber muito e beber irresponsavelmente, não existe possibilidade de voltar atrás. Após abster-se algum tempo, poderá achar que não faria mal apenas “um ou uns goles “, mas este “gole “desencadeará lenta ou rapidamente a fatal e velha obsessão pela bebida e isso o fará voltar a beber. Isso deixa aberto dois caminhos: permitir que suas bebedeiras se tornem progressivamente piores, com todas suas terríveis conseqüências, ou abster-se completamente do álcool e desenvolver um novo método de viver construtivamente.

04) Consigo manter-me abstêmio durante períodos longos entre bebedeiras? A maioria dos membros de AA. Diria que é a maneira pela qual você bebe, e não a freqüência que determina se você é ou não um alcoólico. O bebedor periódico pode ser ou não um alcoólico. Mas se os goles têm se tornado incontroláveis, e se o período entre as bebedeiras é cada vez mais curto, é uma boa oportunidade para se encarar o problema com realismo.

05) Quanto custa ser membro de AA.? Não existe obrigações financeiras de nenhum tipo para os membros de AA. O programa de recuperação do alcoolismo está à disposição de qualquer um que deseje abandonar a bebida, esteja sem dinheiro ou com milhões. Aquele que se sente fracassado financeira ou moralmente, ou talvez das duas formas, não pode se sentir inferiorizado ao entrar para AA. Seu problema é básico, a coisa que tornou sua vida incontrolável, é idêntico ao problema central de todos os membros de AA. Não se julga o valor de um membro de AA. Pelo seu traje, pela sua maneira de falar, nem por quanto tiver depositado no banco. A única coisa que vale em AA. É se o recém-chegado quer ou não parar de beber. Se quer, será bem vindo.

06) Já estou sóbrio há algum tempo. Será que preciso de AA.? A única necessidade que existe é de se manter uma sobriedade feliz e não senti-la como um castigo. Certa vez determinada pessoa havia estado abstêmia por seis ou sete anos. Sua sobriedade forçada, porém, não havia sido uma experiência feliz. A tensão e a perturbação pelos pequenos problemas do cotidiano estavam aumentando, o cerco estava fechando e já estava tentada a voltar a beber quando um amigo lhe sugeriu que procurasse AA.. Desde então é membro já há muitos anos e diz que não existe comparação entre a sobriedade feliz que tem hoje e a desconsolada e triste que tinha antes. É muito mais fácil desfrutar e fortalecer nossa sobriedade quando nos reunimos e trabalhamos com outros alcoólicos.

07) O que é Alcoólicos Anônimos? É uma Irmandade fundada em 1935, mundialmente conhecida, composta de mais de 2 milhões de membros, em aproximadamente 144 países. Esse homens e mulheres reúnem-se em grupos locais que variam em tamanho desde um punhado de ex-bebedores em algumas localidades até várias centenas, em comunidades maiores. Todos partilham de um problema em comum, “o alcoolismo “. Os homens e mulheres que se consideram membros de AA. são e sempre serão alcoólicos. Reconheceram que não poderiam mais ingerir álcool de forma alguma e não tentaram enfrentar este problema sozinhos. Discutem-no abertamente com outros alcoólicos e esse compartilhar de experiências, forças e esperanças parece ser o elemento que lhes torna possível viver sem o álcool, e na maioria dos casos, até sem vontade de beber.

08) Há muitas mulheres alcoólicas em AA.? Pela tendência da sociedade em colocar as mulheres em um pedestal mais alto do que o dos homens, algumas poderão sentir que se atribui um estigma maior ao abuso do álcool por parte delas. AA. não faz distinção deste tipo. Seja qual for sua idade, posição social,condição financeira ou grau de instrução, a mulher alcoólica poderá encontrar ajuda de AA. da mesma forma que os homens.

09) Há muita gente jovem em AA.? Se uma pessoa for alcoólica, a melhor hora de deter a doença é na fase inicial. Por isso tantos jovens têm procurado a ajuda de AA., alguns até com menos de 20 anos. Eles reconheceram que são alcoólicos e que não tem sentido permitir que, neles, o alcoolismo chegue a percorrer seu caminho desastroso até chegarem ao fundo do poço, para daí pedirem ajuda. Uma vez em AA., jovens e idosos dificilmente sentem a diferença de idade. Em AA., ambos começam a vida do mesmo ponto – seu último trago.

10) Como faria uma pessoa para se tornar membro de AA.? Tendo chegado ao ponto de querer sinceramente parar de beber, pode entrar voluntariamente em um grupo local. O único requisito para ser membro de AA. é o desejo de parar de beber. Em AA. não existem campanhas para aliciar membros. Se depois de assistir várias reuniões, o recém-chegado decide que AA. não lhe interessa, ninguém insistirá com ele para que continue assistindo-as. Poderão sugerir-lhe que mantenha “uma mente aberta “ a respeito do assunto. Mas ninguém tentará decidir por ele.

11) Com que freqüência os membros de AA. precisam assistir às reuniões? E terão de assisti-las pelo resto de suas vidas? Os membros de AA. não são obrigados a assistir a um número fixo de reuniões em determinado período. A sugestão cordial – “venha sempre às reuniões “- tão freqüentemente ouvida pelo recém-chegado, baseia-se na grande experiência da maioria dos membros de AA., segundo os quais a qualidade da sobriedade sofre um abalo quando eles permanecem afastados das reuniões por muito tempo. Muitos sabem, pela experiência que, se não assistirem às reuniões, voltam a beber e, quando a elas comparecem com regularidade,parecem manter-se sóbrios facilmente. Todavia, como disse um membro, “a maioria de nós quer “assisti-las pelo resto da vida, e “alguns de nós precisam “. A razão principal que um alcoólico tem para assistir às reuniões de seu grupo é de procurar manter-se sóbrio hoje, é o único período de sua vida que o AA. pode atuar. Não se preocupe com o amanhã ou com resto da vida, cuide do futuro quando ele chegar.

12) Se me tornar um membro de AA. não perderei muitos amigos e prazeres? Ninguém gosta de ver um amigo prejudicar-se. Quem realmente é seu amigo ficará feliz ao tomar conhecimento de seu desejo de parar de beber. Nunca confunda amigos com colegas de bebedeira. Por algum tempo, poderá sentir saudades destes “colegas “, mas logo serão substituídos pelas centenas de membros de AA. que conhecerás, os quais o compreenderão e aceitarão, dispondo-se a ajudá-lo a manter sua sobriedade a toda hora. Poucos são os que trocariam o prazer da sobriedade pelo prazer que pareciam sentir quando bebiam.



13) Por que será que o programa de AA. parece não funcionar para certas pessoas? Depois de estarem sóbrias por algum tempo em AA., algumas pessoas tendem a esquecer que são alcoólicas, apesar de tudo que este diagnóstico implica. Sua sobriedade as torna confiantes de mais e decidem experimentar a álcool de novo. Os resultados de tais experimentos para os alcoólicos são inteiramente previsíveis. Suas bebedeiras se tornam invariavelmente piores, em mais ou menos tempo. Portanto, evite o “primeiro gole “.

14) Que pensam as autoridades médicas a respeito de AA.? Cito algo dito Dr. MARVIN A. BLOCK, membro do comitê sobre alcoolismo e dependência das drogas da Associação Médica Americana:” Talvez o tratamento mais eficiente na reabilitação do alcoólico seja uma filosofia de vida compatível com o indivíduo e sua família, uma fé absoluta em si mesmo que vem somente depois que aprendeu a se conhecer, uma associação íntima com outros cuja experiência se assemelha à dele. A cooperação do médico com AA. é uma maneira de obter essas coisas para seu paciente.

15) Pode uma pessoa “por si só” encontrar a sobriedade lendo a literatura de AA.? Algumas pessoas param de beber ao lerem o livro “Alcoólicos Anônimos”, mas o programa funciona melhor quando o indivíduo reconhece e aceita a necessidade de envolvimento com outros alcoólicos. Trabalhando com outros alcoólicos no grupo local de AA., o bebedor problema adquire apoio e simpatia, rodeado por outros que compartilham da experiência pela qual passou e está passando, e sua nova esperança de vida. Ele perde a sensação de solidão interior, que pode Ter sido um fator importante na sua compulsão para beber.

16) O que são as recaídas? Às vezes um membro que vem mantendo-se sóbrio graças a AA. se embebeda. Chamamos comumente de “recaída “. As recaídas podem ser explicadas por causas específicas: esqueceram o fato de serem alcoólicos e impotentes perante ao álcool, adquirindo assim uma confiança exagerada a respeito de sua capacidade de controlar a bebida; ou se afastaram das reuniões de AA., ou permitiram-se ficar preocupados demais com assuntos sociais, familiares ou de negócios; etc. Ou seja, a maioria das “recaídas “ não acontece por acaso. Para evitar uma recaída, evite o “primeiro gole “.

17) O que é o “Programa das Vinte e Quatro Horas? É um sistema básico que os membros de AA. utilizam para manterem-se sóbrios. Sua compulsão para beber provou ser mais poderosa do que qualquer das mais bem intencionadas promessas. O membro de AA. jamais promete parar de beber para o resto da vida. As vinte e quatro horas são o único período que poderá controlar a compulsão por beber. “Ontem já passou”. “Amanhã pode nunca chegar”. “Mas hoje não tomarei um só gole”.

18) Como começou AA.? Em 1935 um homem de negócios sóbrio há alguns meses pela primeira vez em anos, foi conduzido a um médico do local que era um bebedor-problema. Ele havia constatado que seu desejo de beber diminuía quando tentava ajudar outros “bêbados” a alcançarem a sobriedade. Juntos perceberam que suas capacidades de permanecerem sóbrios dependiam quase que exclusivamente de continuarem a manter contato e ajudar outros alcoólicos. Assim nasceu AA. em 1939 começou a atrair a atenção nacional e internacional devido a publicação do livro “Alcoólicos Anônimos “, do qual a Irmandade tirou seu nome. Neste livro foram colocados “Os doze Passos” que são a essência do programa de AA. para a recuperação pessoal do alcoolismo. Bem como, “As doze Tradições” que são princípios sugeridos para assegurar a sobrevivência e o crescimento dos milhares de Grupos que compõe a Irmandade.


UMA NOVA MANEIRA DE VIVER - AA. é um programa para uma nova maneira de viver sem o álcool, um programa que está funcionando com êxito para centenas de milhares de homens e mulheres que o procuram e o põem em prática com honestidade e sinceridade. Está funcionando no mundo inteiro para homens e mulheres de todas as classes sociais e profissionais.
Não é possível, na verdade, descrever uma maneira de viver: é preciso vivê-la. A literatura descritiva que se baseia em amplas generalidades inspiradoras, fatalmente deixa muitas perguntas sem respostas, e muitos leitores sem a convicção de que depararam com algo que precisam e estão procurando. Por outro lado, uma classificação descritiva dos mecanismos e dos detalhes de um programa de vida pode revelar apenas em parte o seu valor.
Talvez algumas de suas dúvidas tenham sido desfeitas, muitas outras com certeza não foram, mas em AA. sempre haverá um companheiro disposto a esclarecer-lhe dúvidas e acompanhá-lo na trajetória de uma nova vida. - Na Opinião do BILL

A MANUTENÇÃO E O CRESCIMENTO - É evidente que uma vida onde se inclui profundos ressentimentos só leva à futilidade e infelicidade. Enquanto permitirmos esses ressentimentos, estamos perdendo horas que por outro lado, poderiam ser úteis. Mas com o alcoólico, cuja esperança é a manutenção e o crescimento de uma experiência espiritual, esse negócio de guardar ressentimento é grave mesmo, pois daí nos afastamos da luz do Espírito. A raiva é o luxo incerto das pessoas normais, mas para nós, alcoólicos, ela é um veneno.

LIDANDO COM OS RESSENTIMENTOS - O ressentimento é o principal culpado. Destrói mais alcoólico do que qualquer outra coisa. Dele nascem todas as formas de doença espiritual, pois tínhamos estado doentes não só física e mental, como também espiritualmente.

INDIGNAÇÃO JUSTIFICADA - O valor positivo da indignação justificada é teórico – especialmente para os alcoólicos. Isso deixa cada um de nós expostos à racionalização de que podemos ficar com raiva quando quisermos, desde que possamos achar justa nossa raiva.
Quando guardamos rancor e planejávamos essas derrotas, estávamos na verdade nos batendo com o porrete da fúria que pretendíamos usar nos outros. Aprendemos que se estávamos seriamente perturbados, nossa primeira necessidade era diminuir essas perturbações, não importando quem e qual achávamos SER A CAUSA.

MÁXIMA ESPIRITUAL - É uma máxima espiritual que toda vez que estamos perturbados, seja qual for a causa, alguma coisa em nós está errada. Se alguém nos ofende e ficamos irritados, nós também estamos errados.
Mas não há exceções nessas regras? O que dizer da raiva “justificada? Se alguém nos engana, não temos o direito de ficar com raiva? E não deveríamos, com razão, ficar com raiva das pessoas hipócritas?
Para nós de AA esses acessos de raiva são muitas vezes perigosos. Descobrimos que mesmo a raiva justificada deveria ser deixada para aqueles que têm melhores condições de lidar com ela.

CONSIDERAÇÕES - Como é dito pelos estudiosos do assunto: “A permanência do sentimento de raiva no indivíduo leva ao ódio, e o ódio leva a vingança “.
Será que podemos ser responsáveis pelos nossos diversos órgãos de serviço, com ressentimentos e sentimentos de raiva que conservados nos levam ao ódio e a vingança?
Que esse nosso encontro seja com boa vontade e tolerância absoluta, para
conversarmos com franqueza, apararmos nossas arestas, nossas más informações e dúvidas, afim de tomarmos um novo rumo, em benefício de nossa Irmandade, que deve estar acima de cada um de nós.
Creio que só me ofendo se me permito isso, perdendo assim minha paz e me dando ao luxo da raiva destruidora. Serei tão importante que não possa ignorar, ou porque não dizer até perdoar uma ofensa, para o meu bem e de nossa Irmandade. Pensemos nisso pelo futuro de AA.
ORAÇÃO
DA
SERENIDADE

"Concedei-nos Senhor,
A SERENIDADE necessária,
para aceitar as coisas
que não podemos modificar,
CORAGEM para modificar
àquelas que podemos,
e SABEDORIA
para distinguir
umas das outras."
DOZE PASSOS DE ALCOOLICOS ANÔNIMOS

1 – Admitimos que éramos impotentes perante o álcool – que tínhamos
perdido o domínio sobre nossas vidas.
2 – Viemos a acreditar que um Poder Superior a nós mesmos poderia
devolver-nos à sanidade.
3 – Decidimos entregar nossa vontade e nossa vida aos cuidados de Deus,
na forma em que O concebíamos.
4 – Fizemos minucioso e destemido inventário moral de nós mesmos.
5 – Admitimos perante Deus, perante nós mesmos e perante outro ser
humano, a natureza exata de nossas falhas.
6 – Prontificamo-nos inteiramente a deixar que Deus removesse todos esses
defeitos de caráter.
7 – Humildemente, rogamos a Ele que nos livrasse de nossas
imperfeições.
8 – Fizemos uma relação de todas as pessoas a quem tínhamos prejudicado
e nos dispusemos a reparar os danos a elas causados.
9 – Fizemos reparações diretas dos danos causados a tais pessoas, sempre
que possível, salvo quando fazê-las significasse prejudicá-las ou a outrem.
10 – Continuamos fazendo o inventário pessoal e, quando estávamos
errados, nós o admitíamos prontamente.
11 – Procuramos, através da prece e da meditação, melhorar nosso contato
consciente com Deus, na forma em que O concebíamos, rogando apenas o
conhecimento de Sua vontade em relação a nós, e forças para realizar essa
vontade.
12 – Tendo experimentado um despertar espiritual, graças a estes Passos,
procuramos transmitir esta mensagem aos alcoólicos e praticar estes
princípios em todas as nossas atividades.






“Nosso código é o amor e a tolerância pelos outros.”

Descobri que preciso perdoar aos outros em todas as situações, para manter qualquer progresso espiritual real. A importância vital do perdão não pode ter sido óbvia para mim à primeira vista, mas meus estudos me diziam que todo o grande professor espiritual tinha insistido fortemente nisso. Devo perdoar as injúrias, não apenas com palavras, ou como uma formalidade, mas dentro do meu coração. Não faço isto por amor às outras pessoas, mas para o meu próprio bem. Ressentimento, raiva ou o desejo de ver alguém punido, são coisas que apodrecem minha alma. Tais coisas me prendem aos meus problemas como cadeias. Eles me amarram a outros problemas que não têm nada a ver com o problema original.
Quando você determina na sua mente que alguma coisa é possível de realizar, você já deu um passo significativo na obtenção daquilo que você deseja alcançar. Imediatamente após você se conscientizar de que pode atingir aquele determinado alvo - e de muitas maneiras -, no mesmo instante você começa a se beneficiar desse alvo.
Obviamente que a conquista de realizações requer mais do que apenas saber que é possível alcançar o que você tanto anseia. Contudo esses esforços vêm mais rapidamente na medida em que você se conscientiza de que certamente você pode alcançar aquele sonho.
Lembre-se de que a felicidade não depende de quem você seja ou dos bens que você tenha; depende apenas e tão-somente da maneira como você pensa, assim sendo, uma das maiores descobertas do século, é que o homem descobriu que mudando sua forma de pensar, automaticamente muda sua forma de agir, é para nós AAs, se conseguirmos fazer estas mudanças dentro dos princípios que nos são sugeridos, estaremos por fim, em direção da Sabedoria, colocando em ação os princípios da Oração da Serenidade.
Perdoar não quer dizer esquecer! Significa não permitir que o passado de alguém seja o argumento para aceitá-lo ou não. Perdão não significa dizer sim para uma falta cometida no passado, porém dizer sim para a pessoa que no passado cometeu uma falta.
Perdão é a paz que você aprende a sentir quando permite o pouso dos aviões que estão voando em círculos; perdão é para você e não para o autor da afronta; Perdão é recuperar o seu poder; perdão é assumir a responsabilidade de como você se sente; perdão se refere a sua cura é não a pessoa que o fez sofrer; perdão é uma habilidade que exige treinamento; perdão o ajuda a ter mais controle sobre seus sentimentos; perdão pode melhorar sua saúde física e mental; perdão envolve se tornar herói e não a vítima; perdão é uma escolha. Faça sua escolha, e se ela for o perdão, comece não deixando sua ira prevalecer sobre o sol de um novo dia.

“ Vamos amar sempre o que há de melhor nos outros – e nunca ter medo do que eles têm de pior.”

Finalmente começamos a perceber que todas as pessoas, inclusive nós, estão de alguma forma emocionalmente doentes e muitas vezes erradas. Quando isso acontece, nos aproximamos da verdadeira tolerância e percebemos o que significa de fato o verdadeiro amor ao próximo.



HUMILDADE é silêncio perpétuo do coração. É estar sem problemas. É nunca estar descontente, contrariado, irritado ou ofendido. É não me surpreender com qualquer coisa feita contra mim, mas sentir que nada é feito contra mim. Significa que, quando eu for repreendido ou desprezado, eu tenho um lar abençoado dentro de mim, onde eu posso entrar, fechar a porta, ajoelhar-me em frente ao meu PAI em segredo e estar em paz como um profundo mar de calmaria, quando tudo ao meu redor está parecendo agitação.
Técnicas de desobsessão

José Queid Tufaile Huaixan
- Introdução
1.0 - O que é a obsessão
1.1 - Definição clássica
1.2 - Causas da obsessão
1.3 - Graus da obsessão
1.4 - Situações obsessivas
2.0 - Diagnóstico da obsessão
2.1 - Entrevista
2.2 - Exame espiritual por evocação
2.3 - Exame espiritual por psicografia
2.4 - Exame espiritual por vidência
3.0 - Princípios do tratamento
3.1 - Aspectos morais do paciente
4.0 - Técnicas de desobsessão
4.1 - Doutrinação do obsediado (direta e indiretamente)
4.2 - Doutrinação do Espírito obsessor
4.3 - Doutrinação da família do obsediado
5.0 - Meios coadjuvantes
5.1 - Fluidoterapia
5.2 - Leitura de livros espíritas
5.3 - Mensagens doutrinárias
5.4 - Prece
5.5 - Trabalho no Bem
5.6 - Cuidados médicos
- Conclusão
Introdução
As informações existentes neste estudo, têm como finalidade levar o trabalhador ou dirigente espírita que lida com a obsessão, a um melhor entendimento acerca dos métodos pelos quais se é possível identificá-la e tratá-la com relativa segurança.
Sabe-se que a obsessão é uma disfunção mental de fundo espiritual, que sempre esteve presente na vida do homem terreno. Seu tratamento foi mistério em todos os tempos. Com o advento do Espiritismo, conseguiu-se uma explicação racional para o fenômeno, demonstrando suas causas, classificando seus efeitos e apontando caminhos para sua cura.
Nos tempos atuais, devido ao crescimento desmedido da população, sua decadência moral e os inúmeros problemas sociais que enfrenta o mundo, a obsessão tornou-se um verdadeiro flagelo, provocando desentendimentos, vícios, anomalias psicológicas, suicídios e outros males do gênero. A ciência humana continua não aceitando os conceitos espíritas a respeito do assunto, deixando de oferecer oportunidade de cura a inúmeros pacientes que a procuram. A Doutrina Espírita ainda é a única saída para o alívio e cura da obsessão, principalmente os casos mais graves.
Frente a essa situação de emergência por que passa a humanidade, nós espíritas, que somos os trabalhadores da última hora, temos que nos esforçar para termos um bom entendimento das causas da obsessão e dos métodos que podemos utilizar para cuidarmos dos que são vitimados por ela.
A obsessão é ainda um dos maiores entraves para a prática da mediunidade. Allan Kardec afirmou que nunca seriam demais as providências destinadas a combater sua influência daninha.
A prática do Espiritismo, por uma série de fatores, passa por um período onde sua produtividade terapêutica é baixa. Essa situação de pouca produção precisa ser questionada para se promover o progresso. A Doutrina Espírita nos ensina que tudo deve progredir. E para sabermos se a ajuda espiritual ministrada em nossa casa está sendo suficientemente útil, basta controlarmos os tratamentos que vêm sendo feitos pela equipe de desobsessão. Os dados pessoais do obsedado, bem como os principais sintomas da perturbação, devem ser anotados em fichas de informações. Depois de algum tempo, 30 ou 60 dias por exemplo, faz-se uma comparação com o período anterior ao tratamento. Se houve melhora de sintomas em mais de 50% dos casos, o atendimento está em bom nível. Abaixo deste índice, é preciso melhorar a metodologia utilizada.
O que se tem observado num considerável número de sociedades é a necessidade urgente de se aperfeiçoar o método de tratamento utilizado. Isso, quando ele existe. Inclui-se nesse aperfeiçoamento, a melhoria das atividades mediúnicas, com o desenvolvimento de médiuns seguros e flexíveis para tratarem das evocações, doutrinações e pesquisas.
Na literatura espírita temos vários trabalhos falando do tema "desobsessão". Porém, em maioria foram escritos por autores desabituados com as lides diárias da obsessão. São teóricos que pouco entendem do lado prático do tratamento. Esses estudos deixam a desejar quanto à realidade prática das instituições espíritas. Repetem antigos e mal interpretados conceitos, teses redundantes que pouco acrescentam ao conhecimento de quem precisa mudar.
Fizemos esse trabalho com a finalidade de colaborar para minimizar essa deficiência. Queremos, com ele, contribuir para que o tratamento da obsessão nas casas espíritas seja mais organizado e apresente resultados mais satisfatórios.
1.0 - O que é a obsessão
No Movimento Espírita existe muita confusão a respeito do que seja a obsessão e de como se caracteriza. Um dos obstáculos para a sua cura está na dificuldade que se tem para identificá-la.
Freqüentemente, ela é confundida com a simples influência de Espíritos sofredores ou com as influenciações negativas que todo ser humano recebe. Pode-se comparar este erro mais ou menos como o do médico que, ao examinar o paciente, confundiu resfriado com tuberculose. Há aqueles que confundem obsessão com mediunidade a ser desenvolvida. A obsessão, afirmam, deve ser curada com o desenvolvimento da mediunidade ou com o trabalho do paciente no campo da assistência social.
Eis um grave erro que pode levar a conseqüências danosas. É o mesmo que um médico prescrever para a cura de uma doença, que seu paciente estude medicina ou trabalhe no hospital.
A obsessão é uma doença de fundo moral que deve ser tratada por métodos lógicos e racionais ensinados pela Doutrina Espírita. Se vai haver atividade mediúnica ou não na vida do paciente, isto será definido depois do tratamento, pois dependerá de uma série de fatores que deverão ser avaliados pelo dirigente de sessões ou responsável pela orientação da casa.
É necessário ao observador deter-se em alguns detalhes para identificar corretamente o processo obsessivo. Só assim, poderá tratá-lo com sucesso.
"A obsessão apresenta características diversas que precisamos distinguir com precisão, resultantes do grau de constrangimento e da natureza dos efeitos que este produz" – (Allan Kardec, em O Livro dos Médiuns, capítulo 18:237)
"A palavra obsessão é portanto um termo genérico pelo qual se designa o conjunto desses fenômenos, cujas principais variedades são: a obsessão simples, a fascinação e a subjugação" – (Idem, acima).
1.1 - Definição clássica:
Allan Kardec, o codificador, assim define a obsessão:
"A obsessão é a ação persistente de um Espírito mau sobre uma pessoa. Apresenta características muito diversas, desde a simples influência de ordem moral, sem sinais exteriores perceptíveis, até a completa perturbação do organismo e das faculdades mentais" – (O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo 28:81).
"Trata-se do domínio que alguns Espíritos podem adquirir sobre certas pessoas. São sempre os Espíritos inferiores que procuram dominar, pois os bons não exercem nenhum constrangimento. ...Os maus, pelo contrário, agarram-se aos que conseguem prender. Se chegam a dominar alguém, identificam-se com o Espírito da vítima e a conduzem como se faz com uma criança" – (O Livro dos Médiuns, capítulo 28:237).
A obsessão é o domínio que os Espíritos inferiores adquirem sobre algumas pessoas, provocando-lhes desequilíbrios psíquicos, emocionais e orgânicos. Esta é a definição básica que Allan Kardec deu a ela. Como causa fundamental da obsessão, o Codificador apontou certas fraquezas do organismo moral dos pacientes.
A Doutrina Espírita ensina que todos nós recebemos a influência dos bons e dos maus Espíritos, explicando que trata-se de um processo natural, por meio da qual a criatura é estimulada à experiência evolutiva quando está encarnada. No entanto, quando um Espírito atrasado se apega a uma pessoa e sua influência perniciosa torna-se constante, então pode-se classificá-la como obsessão.
Os sintomas que caracterizam a obsessão variam de caso para caso, desde simples efeitos morais, passando por manias, fobias, alterações emocionais acentuadas, mudanças na estrutura psíquica, subjugação do corpo físico, até a completa desagregação da normalidade psicológica, produzindo a loucura.
No tratamento da obsessão é preciso saber distinguir seus efeitos, daqueles outros causados pelas influências naturais (mais ou menos passageiras) e das alterações emocionais oriundas do próprio psiquismo do paciente.
Existem pessoas que procuram o Centro Espírita portando desequilíbrios psicológicos que, embora possam se beneficiar dos ensinamentos da Espiritualidade, também necessitam do apoio de terapeutas.
A relação com a vida atual, a própria educação que recebeu ou seu passado reencarnatório trouxeram-lhes traumas e condicionamentos que os fazem sofrer.
O estudo da Doutrina e as palestras públicas poderão ajudar esses indivíduos na recuperação da normalidade almejada, mas o entrevistador ou orientador não deve dispensar a competente orientação profissional, quando achar isso necessário.
É evidente que o entrevistador ou dirigente do Centro Espírita têm de saber diferenciar a obsessão das outras anomalias psíquicas. Existem algumas regras gerais que podem ser observadas, mas o que vai ajudá-los em profundidade, será a experiência em torno dos casos examinados.
O fenômeno obsessivo apresenta sinais morais, psicológicos ou físicos característicos, que o trabalhador deve aprender a identificar. Na obsessão, observa-se um constrangimento da vontade do paciente, um incômodo que parece não ceder a nenhuma providência. Na simples influência de sofredores, isso não ocorre. Nela, só se observa a tristeza apática, a melancolia, às vezes crises de choro, sem maior gravidade. Alguém pode estar alterado emocionalmente, influenciado por um Espírito sofredor, sem com isso estar obsediado.
Os sintomas relacionados abaixo podem ser indicadores de processos obsessivos já desenvolvidos ou em fase de desenvolvimento. Se permanecerem constantes em uma pessoa, pode-se suspeitar com grande margem de acerto que esteja sob o império da obsessão. São eles:
• Depressão, angústia e tristeza.
• Pesadelos constantes.
• Tendência ao vício.
• Práticas mundanas.
• Agressividade além do normal.
• Abandono da vida social ou familiar.
• Ruídos estranhos à própria volta.
• Visão freqüente ou esporádica de vultos.
• Impressão de ouvir vozes.
• Manias e tiques nervosos
Uma pessoa, vez por outra, pode ter um pesadelo, entrar num estado de tristeza ou sentir qualquer dos sintomas citados acima, sem que esteja sendo vítima da obsessão. O que caracterizará a fenomenologia obsessiva é a insistência desses estados mórbidos em incomodar a pessoa desajustada.
Ainda no campo dos sintomas, pode-se afirmar que nas simples influenciações espirituais, as entidades envolvidas normalmente são Espíritos sofredores ou ignorantes, que podem ser afastados facilmente do campo psíquico do paciente através de passes e evangelização. Nas obsessões provocadas por Espíritos maus é diferente. Os sintomas apresentam-se com tendências agravantes e doentias.
Observa-se uma insistência da entidade em agredir o obsediado ou interferir na sua mente, afetando a normalidade.
Com o tempo, o responsável pelo atendimento na casa espírita adquirirá a experiência suficiente para detectar a obsessão e providenciar seu tratamento com relativa segurança.
1.2 – Causas da obsessão:
É de importância vital aos que lidam com o tratamento da obsessão, descobrir as causas que levaram o paciente a cair sob o domínio do Espírito obsessor que o atormenta. Sabemos, através dos ensinamentos de Allan Kardec, que no fundo de todas as perturbações espirituais residem as fraquezas morais do perturbado, as imperfeições da alma que são as portas de entrada para a influência estranha.
Algo parecido acontece com as doenças do corpo físico: quando elas se instalam no organismo, a causa está geralmente nas fraquezas da estrutura orgânica.
Em estudos realizados no Grupo Espírita Bezerra de Menezes, na cidade de São José do Rio Preto, SP, onde foram examinados mais de 7 mil casos de anormalidades comportamentais, causadas por Espíritos ou não, se classificou as causas da obsessão como sendo provenientes de quatro fontes distintas:
• Causa moral.
• Causa cármica.
• Contaminações.
• Auto-obsessão.
Causa moral - Há duas situações que podem levar um paciente a ser vítima da obsessão de fundo moral: o Espírito imaturo e o Espírito mal orientado. No primeiro caso, o da imaturidade espiritual, encontram-se pacientes poucos adiantados moralmente, com o psiquismo ainda dominado por pensamentos inferiores. A conduta dessas pessoas em torno de ações e pensamentos inferiores atrai Espíritos imperfeitos que se afinizam com elas. No começo da relação, verifica-se tão somente uma interferência em algumas atitudes do indivíduo. Mais tarde, aparece um delicado mecanismo de interinfluenciação, onde as vontades e os desejos são trocados entre perturbado e perturbador.
A seguir, a vontade do obsediado vai aos poucos sendo substituída pela do obsessor, instalando-se o fenômeno obsessivo. Este tipo de obsessão é comum e há situações em que seus portadores nem percebem que dividem sua vida mental com um Espírito inferior. Nesse tipo de obsessão não há grande chance de sucesso no tratamento. O que se pode conseguir é uma melhoria relativa, pois não há como mudar bruscamente o estado evolutivo de uma pessoa, fazendo-a entender conceitos que ainda não tem condições de conceber.
Na segunda situação, a do Espírito mal orientado, encontram-se os pacientes que tiveram educação deficitária no lar, na religião ou na escola. A inferioridade do mundo terreno, seus costumes e sistemas educativos estimulam no ser humano o desenvolvimento das paixões e o afastam de Deus. Estruturas psicológicas mal orientadas provocam nas pessoas condutas desregradas, levando-as a sintonizar com Espíritos inferiores. Pelo mesmo mecanismo citado acima, forma-se o processo obsessivo de fundo moral. Nesses casos, o tratamento será mais fácil, pois trata-se de um problema que uma simples orientação bem conduzida pode resolver.
Causa cármica – Classificam-se como obsessões cármicas os casos obsessivos relacionados com as vidas passadas de um paciente em desequilíbrio. Carma é um termo que se refere à bagagem histórica do Espírito. É o produto de todas as encarnações vividas pela entidade. A palavra "carma" é de origem sânscrita (uma das mais antigas línguas da Índia), e significa "ação". Pode-se dizer, a grosso modo, que o carma é a ação do Espírito em toda sua trajetória evolutiva, desde sua primeira encarnação.
Denominam-se obsessões de "causa cármica", aquelas em que as perseguições observadas são oriundas do relacionamento entre obsediado e obsessor, ocorridas em vidas passadas, neste ou noutros mundos. É um tipo de obsessão provocada pela desarmonia de conduta entre duas ou mais criaturas, gerando ódios, ressentimentos e vinganças que podem se estender às suas vidas futuras. A lei de ação e reação, ou causa e efeito, regula estes processos de ajuste entre as partes envolvidas, permitindo que as conseqüências deste plantio mal feito dêem seus frutos com vistas ao aprendizado de todos.
O comprometimento no passado, através das ligações vibratórias, atrai o desafeto desencarnado que, vendo consumida a fase de infância de seu inimigo, inicia sua influência maléfica sobre ele. No passar dos anos instala-se a obsessão, apresentando maior ou menor gravidade, segundo as circunstâncias que cercam cada caso.
Contaminações - Em A Gênese, Capítulo XIV, Allan Kardec fez um importante estudo sobre os fluidos espirituais. Examinando suas colocações, pode-se concluir que os ambientes materiais possuem uma espécie de atmosfera espiritual criada pelas pessoas que vivem em relação com eles.
Entende-se daí, que os centros espíritas, os terreiros de Umbanda, as Igrejas, os lares, os locais de trabalho e de diversões, constituem-se em verdadeiros núcleos de magnetismo espiritual, criados pelos pensamentos dos que os freqüentam. Aprendemos que nesses ambientes constituídos por pessoas mais ou menos imperfeitas, associam-se Espíritos desencarnados com tendências afins.
Nas investigações em torno da obsessão, realizadas no Grupo Espírita Bezerra de Menezes, verificou-se que freqüentadores de ambientes espirituais onde predominam a presença de Espíritos inferiores (terreiros primitivos, centros espíritas desajustados ou templos de seitas estranhas), podem ficar contaminados com sua influência. Tal domínio se forma em virtude da sintonia mental dos freqüentadores, com os Espíritos que habitualmente vão ali. Denominou-se essas obsessões de "contaminações".
Nos casos dos terreiros ditos de Umbanda, os consulentes - como são chamados ali os necessitados - quase sempre vão solicitar ajuda para a solução de seus problemas materiais e amorosos. Nesses ambientes, geralmente predominam interesses imediatistas, ligados à vida material e ninguém costuma tratar das questões morais relativas ao futuro do indivíduo como Espírito imortal.
Os Espíritos inferiores que militam nesses ambientes ajudam as pessoas interferindo em suas vidas, causando-lhes contrariedades ou efeitos materiais que iludem os que não possuem conhecimento da verdade ensinada pelo Consolador. Quando o freqüentador se afasta desses lugares, a influência dos maus Espíritos nem sempre cessa. Ao notarem que estão perdendo suas vítimas, podem instalar a desarmonia emocional e mesmo material na vida dos envolvidos.
As obsessões causadas por contaminações são mais freqüentes do que se imagina. Na região de São José do Rio Preto, SP, por exemplo, perfazem 40% do total dos casos examinados. As contaminações também podem ocorrer através das atividades de centros espíritas mal orientados. Quando pessoas novatas, sem estudo ou preparo, são colocadas em reuniões mediúnicas para exercitar suas faculdades, é muito comum caírem sob o domínio de Espíritos inferiores, terminando como vítimas da obsessão. Grupos espíritas dominados por entidades ignorantes e malévolas são verdadeiros focos de contaminação espiritual, que prejudicam os que ali vão buscar ajuda e orientação para suas vidas.
Auto-obsessão - Na auto-obsessão, a mente da pessoa enferma encontra-se numa condição doentia semelhante às neuroses. É uma situação onde ela atormenta a si mesmo com pensamentos dos quais não consegue se livrar. Há casos mais graves em que o paciente não aceita que seu mal resida nele mesmo.
As causas deste tipo de obsessão residem nos problemas anímicos do paciente, ou seja, nos seus dramas pessoais, dessa ou de outras encarnações. São traumas, remorsos, culpas e situações provindas da intimidade do seu ser, que prejudicam-lhe a normalidade psicológica.
Quando se examina esses casos mediunicamente, pode-se encontrar Espíritos atrasados ou sofredores associados à vida mental dos doentes. Mas, as comunicações indicam que eles estão ali por causa da sintonia mental com o obsediado. Agravam seu mal, mas não são os causadores dele.
A causa central desse tipo de obsessão reside no paciente, que se auto-atormenta, numa espécie de punição a si mesmo. A mente de um auto-obsediado é fechada em si mesma e é preciso abri-la para a vida exterior, se quisermos ajudá-lo.
A psicoterapia convencional pode e deve ser utilizada no tratamento da auto-obsessão. Juntando-se a ela a terapia espírita, fundamentada na evangelização e no ascendente moral, pode-se obter resultados satisfatórios. O tratamento abrirá a prisão psíquica em que o indivíduo vive, libertando-o da escravidão mental.
1.3 – Graus da obsessão:
A obsessão possui causas, conseqüências e sinais diversificados. Allan Kardec ordenou o fenômeno obsessivo segundo certas características e graus de intensidade que lhe é próprio e que facilitam entender a gravidade de cada caso. O Codificador classificou a obsessão em três categorias distintas, segundo seu grau de manifestação: Obsessão simples, Fascinação e Subjugação.
Obsessão simples - Na obsessão simples, ocorre um grau de constrangimento que se limita a perturbar a vontade, emoção e psiquismo do paciente obsediado. O Espírito inferior incomoda o indivíduo, mas não domina em profundidade seu psiquismo. Alguém que tenha o sono perturbado por pesadelos, pode estar sendo vítima de uma obsessão simples. Se, no entanto, os efeitos provocados por esses sonhos ruins permanecem significativa parte do dia incomodando o enfermo, o caso pode ser classificado como uma subjugação moral.
Pacientes portadores de depressões de caráter leve a mediana, podem ser vítimas de obsessões simples. Porém, se a situação psicológica degenerar na predominância de maus pensamentos no trânsito mental, a situação também pode ser colocada na classe de subjugação moral.
Pequenos tiques nervosos e manias esporádicas, também podem ser classificados como obsessão simples. Caso esses cacoetes se tornem constantes, o fenômeno obsessivo poderá ser classificado como subjugação física. Em resumo, a obsessão simples é, como o próprio nome o diz, uma interferência espiritual não grave. Mas, é importante citar que algumas obsessões simples, se não forem cuidadas adequadamente, poderão se degenerar em formas mais graves, tais como a subjugação e a fascinação. Portanto, todos os casos de obsessão merecem a maior atenção.
Fascinação - A fascinação é o processo de obsessão mais grave. É Allan Kardec ainda quem assim se refere, falando dessa situação obsessiva:
"A tarefa (de desobsessão) se torna mais fácil, quando o obsedado, compreendendo a sua situação, oferece o concurso da sua vontade e das suas preces. Dá-se o contrário quando, seduzido pelo Espírito embusteiro, ele se mantém iludido quanto às qualidades da entidade que o domina, e se compraz nas suas mistificações, porque então, em vez de ajudar, ele mesmo repele qualquer assistência. É o caso da fascinação, sempre infinitamente mais rebelde do que a mais violenta subjugação. Em todos os casos de obsessão, a prece é o mais poderoso auxiliar da ação contra o Espírito obsessor" - (O Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo 28:81).
Na fascinação, existe um mecanismo de profunda ilusão instalada na mente enferma do paciente. Ele afeta as faculdades intelectuais, distorcendo o raciocínio, a capacidade de julgamento e a razão. O Espírito obsessor engana o doente explorando suas fraquezas morais, iludindo-o com falsas promessas.
Um fascinado não admite que está obsediado. O defeito moral que provoca a fascinação é o orgulho. Infelizmente todos nós seres humanos ainda temos essa erva daninha na intimidade da alma. Bons valores mediúnicos já se perderam por causa da supervalorização que algumas pessoas deram ao seu amor próprio.
Os Espíritos fascinadores são hipócritas. Não possuem qualquer receio de se enfeitar com nomes honrados e, mesmo assim, levarem suas vítimas a tomarem atitudes ridículas perante a coletividade.
A fascinação é mais comum do que se pensa. Atualmente, atinge o Movimento Espírita como uma doença moral muito séria. É ela a responsável pela edição de livros anti-doutrinários e comprometedores existentes no mercado da literatura espírita em bom número. Essas obras são escritas por médiuns e escritores vaidosos, que sob o império da fascinação, não se dão conta do ridículo a que se submetem.
Também é a fascinação a responsável por inúmeras condutas esdrúxulas observadas em centros espíritas, tais como a entoação de cânticos, utilização de roupas e paramentos nas sessões, uso de cromoterapia, transformação da tribuna em anedotário etc.
Os intelectuais, embora instruídos, não estão livres da fascinação. Alguns desses indivíduos, por confiarem excessivamente no seu pretenso saber, tornaram-se instrumentos de Espíritos fascinadores e passaram a divulgar no Movimento Espírita conceitos anti-doutrinários nocivos à fé espírita.
Allan Kardec alerta para outro grave perigo: o da fascinação de grupos espíritas. Iniciantes afoitos e inexperientes podem cair vítimas de Espíritos embusteiros que se comprazem em exercer domínio sob todos aqueles que lhes dão ouvidos, manifestando-se algumas vezes como guias e outras como Espíritos de outra natureza.
A fascinação também pode cair sobre grupos experientes que se julguem maduros o suficiente para ficarem livres de sua danosa influência. O orgulho e o sentimento de superioridade é a porta larga para a entrada dos Espíritos fascinadores. Portanto, deve-se tomar todo o cuidado quando na direção de centros espíritas e das sessões de atividades mediúnicas. Os dirigentes são alvos preferidos dos Espíritos hipócritas que, dominando-os, podem mais facilmente dominar o grupo.
Subjugação – A subjugação é um tipo de obsessão que apresenta um elevado grau de domínio do aspecto corporal e às vezes moral do paciente. Quanto a subjugação é moral, diferencia-se da fascinação, porque o paciente sabe que está obsediado. Na fascinação ele nega que o esteja.
Na subjugação ocorre um intenso domínio do Espírito obsessor no plano fluídico que, em alguns momentos, chega a se imantar ao corpo espiritual do doente, provocando-lhe crises de movimentação involuntária, com conseqüentes reflexos no corpo físico.
As crises provocadas por esta categoria de obsessão são conhecidas na linguagem popular como "possessão". Esse termo é inadequado, pois não ocorre a posse do corpo físico pelo Espírito desencarnado. O correto é afirmar que alguém está subjugado por um Espírito, isto é, sob seu domínio, seu jugo.
O desenvolvimento dos processos de subjugação se inicia primeiro no plano moral. Depois de encontrada a sintonia adequada, ele evolui para homogeneização fluídica, que mais tarde levará ao domínio do perispírito. A seguir, começam a aparecer as crises que afetam o corpo físico, com tiques nervosos constantes, trejeitos, agressões e quedas semelhantes a convulsões.
1.4 – Situações obsessivas
As obsessões, de modo geral, não apresentam gravidade e podem ser tratadas de maneira relativamente fácil pela metodologia espírita. Só em um número pequeno de casos há fatores que predispõem à degeneração do processo, culminando em subjugação ou fascinação. Nas obsessões mais graves, quase sempre encontram-se situações em que o enfermo tem um alto índice de endividamento frente às leis de Deus. Nesses casos, verifica-se ainda a presença marcante, ostensiva, de um Espírito obsessor e de circunstâncias morais no paciente que facilitam a evolução do estado mórbido.
Em todos os casos de obsessão há sempre dois lados envolvidos. Em um lado está o obsediado, aquele que sofre a agressão do obsessor. No outro, está o obsessor, que provoca a agressão, dando origem à obsessão.
Na patologia obsessiva há várias situações de domínio espiritual, que precisam ser bem compreendidas a fim de contribuírem com o sucesso da terapia espírita. Citaremos os casos possíveis de acontecer, tendo em vista facilitar o trabalho dos doutrinadores, pois, como veremos, será preciso agir nas duas vertentes do processo, para solucioná-lo de forma conveniente.
Pode-se ter as seguintes situações obsessivas:
• De desencarnado para encarnado
• De encarnado para desencarnado
• De desencarnado para desencarnado
• De encarnado para encarnado
• Auto-obsessão
• Obsessão recíproca
De desencarnado para encarnado – Trata-se da obsessão convencional, conforme Allan Kardec nos apresenta nas obras básicas. É um processo obsessivo mais comum e de maior incidência. Todas as pessoas possuem a faixa psíquica com a qual sintonizam. Quando a predominância dessa influência situa-se no campo da influência dos Espíritos atrasados, aparece aí o fenômeno obsessivo. As razões da obsessão são diversas, conforme já tivemos oportunidade de verificar.
De encarnado para desencarnado - Embora essa situação obsessiva não seja muito comum, ela é observada em casos nos quais pessoas encarnadas podem exercer sobre Espíritos desencarnados uma influência magnética muito grande. Tais ocorrências podem acontecer em ocasiões em que alguém perde um ente querido e nutre por ele um amor possessivo.
O desejo de quem está do lado material em permanecer ligado àquele que partiu e o lamento desmedido, podem estabelecer laços fluídicos bastante poderosos entre ambos. Casos entre pais e filhos; entre amantes; entre inimigos; situações que envolvem disputas por herança etc, já foram observados e classificados como sendo entre "encarnados e desencarnados".
De desencarnado para desencarnado: Espíritos que atormentam Espíritos são um drama que se desenrola tanto na Terra quando no plano espiritual. Nas sessões práticas de Espiritismo é muito comum os médiuns terem contato com entidades que se queixam de estar sendo perseguidas por algozes invisíveis. Na Revista Espírita, número de Junho de 1860, no artigo ''Palestras familiares do Além Túmulo'', Allan Kardec evoca o espírito da Sra. Duret e propõe a seguinte questão:
Pergunta: O Espírito que obsedou um médium em vida, pode obsedá-lo após a morte?
Resposta: A morte não liberta o homem da obsessão dos maus Espíritos: é a figura dos demônios, atormentando as almas sofredoras. Sim, esses Espíritos os perseguem após a morte e lhes causam sofrimentos horríveis, porque o Espírito atormentado se sente num abraço de que não se pode libertar.
De encarnado para encarnado - Pessoas obsediando pessoas existem em grande número. A obsessão entre vivos pode se manifestar através de sentimentos de ciúme, inveja, paixão, desejo de poder, orgulho e ódio. Temos como exemplo situações do relacionamento interpessoal, como o marido que limita a liberdade da esposa; a esposa que submete o marido aos seus caprichos; pais que se julgam no direito de cercear a liberdade dos filhos; paixões que terminam em dramas dolorosos, pactos de suicídio, assassínio etc.
Auto-obsessão - Na auto-obsessão, como já vimos, a mente do enfermo encontra-se numa condição doentia, onde ele atormenta a si mesmo. As causas deste tipo de obsessão residem nos problemas anímicos do paciente, ou seja, nos seus próprios dramas pessoais, vividos nessa ou noutras encarnações.
''O homem, não raramente é obsessor de si mesmo'' - (Allan Kardec, em Obras Póstumas, item 58).
Obsessão recíproca - São situações de perseguição em que dois Espíritos nutrem ódio um pelo outro ou são escravos das mesmas paixões. Alguns casos podem ser classificados como verdadeira simbiose, onde um se alimenta dos desequilíbrios do outro. Pode acontecer entre encarnados e desencarnados.
2.0 - Diagnóstico da obsessão
A obsessão é um fenômeno da patologia mental que pode ser identificado através de metodologia definida. Os centros espíritas que se dedicam a essa importante tarefa, devem constituir equipes para cuidar especificamente dessa área da assistência espiritual que nos proporciona o Espiritismo. A seguir, vamos falar das principais maneiras pelas quais as obsessões podem ser identificadas.
2.1 – Entrevista:
Na terapia desobsessiva, faz-se necessário seguir um procedimento lógico e racional para se conseguir um resultado satisfatório na cura ou redução dos sintomas observados.
Como primeiro procedimento, a equipe responsável pela desobsessão fará uma entrevista com o paciente, a fim de detectar os sinais psíquicos que a possam identificar, e observar fatos do dia-a-dia que possam comprovar sua existência. Por exemplo: uma pessoa que esteja com sua mente constantemente perturbada por pensamentos de morte ou suicídio, pode estar obsedada. Alguém que tenha a impressão de ouvir vozes ou barulhos à sua volta, também pode estar vitimada pela obsessão.
Por isso, é necessário que se tenha um diálogo com o perturbado a fim de sondar-lhe a vida pessoal, identificando condutas e procedimentos que possam estar facilitando o desenvolvimento do processo obsessivo. A entrevista está detalhada em outra parte deste trabalho.
Além das informações colhidas pelo entrevistador durante seu diálogo com a pessoa necessitada, a casa espírita poderá contar com um precioso auxiliar para diagnosticar e tratar dos processos obsessivos graves. Trata-se dos exames espirituais. Existem diversas maneiras de realizá-los e cada um poderá adaptar no Centro Espírita que freqüenta o método que achar mais conveniente, ou conforme os elementos mediúnicos que tiver à sua disposição. As informações espirituais sobre o paciente ou sobre sua intimidade é de caráter sigiloso e deverá permanecer em arquivos devidamente fechados, sob a responsabilidade do secretário de sessão ou da recepcionista.
2.2 - Exame Espiritual por evocação:
Esse tipo de exame pode ser efetuado utilizando médiuns já desenvolvidos e de boas condições morais. Nesses casos, as fichas de entrevistas serão encaminhadas pelo secretário para uma reunião mediúnica de desobsessão ou para uma sessão programada especificamente para esse fim.
O dirigente da mesa de trabalhos mediúnicos deverá separar um espaço do tempo disponível para fazer as evocações referentes a cada caso. De sua mesa de apontamentos, o secretário da sessão citará o nome de cada paciente, aguardando a prece evocatória a ser proferida pelo responsável pelos trabalhos.
Não se deve fazer preces muito longas. Pode-se, por exemplo, agir da seguinte maneira: "Em nome de Deus Todo Poderoso, rogamos que se houver um Espírito obsessor envolvido com Fulano..., que possa se manifestar entre nós, pois gostaríamos de falar com ele".
Se o desajuste observado for mesmo um caso de obsessão espirítica, tal procedimento é suficiente para o chamamento do Espírito perturbador. Caso não haja manifestações, o dirigente poderá solicitar a um dos amigos da Espiritualidade que dê algum conselho sobre o caso, através de um dos médiuns da casa. Normalmente, os bons Espíritos o fazem com boa vontade.
É importante ressaltar que os médiuns não deverão ser informados sobre o tipo de problema que o paciente é portador. Isso contribuirá para se evitar influências anímicas nas comunicações, dentro do possível.
Allan Kardec disse que nos casos de investigação mediúnica em torno de questões específicas, o médium poderá ser informado sobre o que se vai perguntar. Mas nos casos de investigação dos processos obsessivos, convém que tudo se passe no campo das experimentações. Além de limitar a influência do animismo, isso dará oportunidade ao dirigente da sessão para avaliar o funcionamento da mediunidade dos trabalhadores sob sua responsabilidade.
Em todas as modalidades de exame, somente será citado o nome do paciente, a idade e a cidade de sua moradia.
As informações vindas do plano espiritual serão anotadas na ficha do paciente. Não será necessário especificar o diálogo na sua íntegra, mas sim, os detalhes mais importantes da comunicação. Exemplo:
"Observamos Espírito obsessor, ligado ao passado do paciente", "Manifestou um Espírito ignorante, que parece ligado ao paciente por razões morais", "Verificamos perturbações espirituais oriundas de terreiros primitivos", "Houve manifestação do Espírito do paciente, que foi devidamente instruído", "Não houve manifestação de Espíritos" etc.
As fichas serão devidamente encaminhadas para o arquivo da Sociedade, para mais tarde serem examinadas pelos entrevistadores que, fundamentados na entrevista, poderão prescrever o procedimento terapêutico adequado.
2.3 - Exame Espiritual por psicografia:
O exame espiritual feito através da psicografia será bastante parecido com aquele das evocações. Um ou mais médiuns psicógrafos já experientes farão o trabalho de captar as informações do mundo espiritual sobre os casos em exames. A sessão de psicografia destinada ao exame espiritual deverá ser aberta com o estudo do Evangelho Segundo o Espiritismo. Essa parte instrutiva, será a fase de preparo do ambiente e instrução moral dos participantes, nos dois planos da vida. Um secretário cuidará de organizar as fichas de atendimento que vão ser submetidas à apreciação dos médiuns. Também aqui, não se informará detalhes sobre o caso.
As informações psicografadas pelos médiuns serão registradas numa folha de papel sulfite. As instruções sobre cada caso serão anexadas junto à ficha do paciente, para mais tarde o secretário nela transcrever os detalhes. Do mesmo modo, após os apontamentos, as fichas serão encaminhadas para o arquivo da Sociedade e ficará à disposição dos entrevistadores. Após efetuar as anotações, as folhas escritas pelos Espíritos poderão ser destruídas.
2.4 - Exame Espiritual por vidência:
Esse é o tipo de exame mais delicado, pois é preciso contar com um médium seguro e já desenvolvido. A vidência, como nos informou Allan Kardec, é uma faculdade incerta que pode se prestar ao erro e ao engano, com muita facilidade. Daí a necessidade do dirigente das atividades mediúnicas armar-se de cuidados para evitar informações inverídicas. Os melhores videntes são aqueles que desenvolvem suas faculdades na intimidade do trabalho do Centro Espírita.
Os videntes chamados naturais normalmente são cheios de vícios e interpretam as coisas do invisível de maneira muito pessoal. Videntes são comuns e a casa espírita deve contar com uma organização interna capaz de proporcionar uma boa formação moral e doutrinária para que entre os trabalhadores desponte a vidência, conforme o 'dom' de se interpretar a natureza dos Espíritos, como disse Paulo de Tarso.
O exame espiritual, feito por vidência, tem a vantagem de facilitar aos entrevistadores a possibilidade de terem o resultado das avaliações no mesmo dia da entrevista.
A reunião destinada às observações pela vidência acontecerá concomitante às entrevistas na casa espírita. Ela será aberta com um estudo evangélico (feito de preferência com o Evangelho Segundo o Espiritismo).
A duração desses estudos será de 30 minutos e sua finalidade, como afirmamos acima, é a de edificar o ambiente e os aspectos morais de todos os participantes.
Terminado o trabalho da evangelização, será dado início às observações, com a introdução no recinto de um paciente por vez. Na sala de exame haverá um auxiliar que se encarregará de dar passe no paciente, enquanto ele é observado. As observações serão anotadas numa guia de exames que será emitida na sala de entrevistas. Esses apontamentos voltarão para os entrevistadores que farão a avaliação de cada caso e prescreverão o procedimento terapêutico.
Em nenhuma circunstância o paciente terá acesso aos apontamentos feitos pelo vidente na guia de exame ou na sua ficha pessoal. Essas informações são de propriedade da sociedade espírita e não poderão ser reveladas a pessoas estranhas.
Na guia de apontamentos, o vidente vai escrever sobre o que viu ao lado do paciente, sendo desnecessário fazê-lo na íntegra.
Ele fará um resumo do que viu, fazendo anotações tais como: "Observamos um Espírito sofredor ao lado do paciente. Tive a impressão de ser um parente dele", "Vimos um Espírito escuro próximo do paciente"; "Observamos imagens com velas acesas"; "Existe um Espírito de terreiro perto do paciente", "Notamos um Espírito junto do paciente, querendo vingar-se dele"; "Tive a intuição de que o paciente tem uma vida moral desregrada" etc.
Quando o vidente possuir boa intuição ele poderá anotar algum detalhe que lhe parecer pertinente na guia de observações.
3.0 - Princípios do tratamento
Allan Kardec, em "O Evangelho Segundo o Espiritismo", assim se manifesta sobre os mecanismos da obsessão e seus princípios de tratamento:
"Assim como as doenças são resultados das imperfeições físicas, que tornam o corpo acessível às influências perniciosas do exterior, a obsessão é sempre o resultado de uma imperfeição moral, que dá acesso a um mau Espírito. A uma causa física opõe-se uma força física; a uma causa moral., é necessário opôr-se uma força moral. Para preservar das doenças, fortifica-se o corpo; para garantir contra a obsessão, é necessário fortificar a alma. Disso resulta que o obsedado precisa trabalhar para sua própria melhoria, o que na maioria das vezes é suficiente para o livrar do obsessor, sem socorrer-se de outras pessoas. Esse socorro se torna necessário, quando a obsessão degenera em fascinação e subjugação, porque o paciente perde, por vezes, a sua vontade e o seu livre arbítrio" – (Capítulo 28:81).
Para se curar uma doença física, o médico deve examinar o caso de modo a descobrir quais os motivos que levaram ao aparecimento da enfermidade. Depois do diagnóstico, ele prescreve o tratamento clínico ou cirúrgico, segundo um julgamento lógico e científico. Mais tarde, avaliará os resultados pondo fim ao tratamento, ou dando continuidade a ele, se necessário for.
Na terapêutica destinada ao tratamento da obsessão, pode-se proceder com metodologia parecida, já que as causas dos distúrbios obsessivos são diversificadas e instalam-se na mente do obsediado por causa de uma fraqueza ou falha existente no seu organismo moral.
O primeiro passo será fazer uma pesquisa em torno da vida do paciente, procurando detectar os principais vetores comportamentais por onde está atuando a obsessão. Como se viu no capítulo "Diagnóstico da Obsessão", isso poderá ser feito através da entrevista e de exames mediúnicos. A partir daí se tomarão os procedimentos terapêuticos que se julgar mais conveniente ao sucesso do tratamento. No Espiritismo o principal remédio é a instrução moral dada do enfermo e ao Espírito que o atormenta.
3.1 – Aspectos morais do paciente:
A Doutrina Espírita ensina que a evangelização (orientação moral) é fundamental na recuperação dos obsedados. No entanto, deve-se ter o cuidado para que essa idéia não seja radicalizada a ponto de não se querer ajudar os que não querem estudar o Espiritismo. Alguns dirigentes pensam que evangelizar é fazer com que o indivíduo matricule-se em cursos espíritas, ou que freqüente o centro durante alguns anos para melhorar-se. É evidente que isso seria o desejável, mas a maioria dos seres humanos não carrega consigo tanta vontade de evangelizar-se, nem de se dedicar ao trabalho com Jesus.
A questão é a seguinte: uma pessoa que não tenha muito interesse pelas coisas divinas pode ser ajudada pela equipe de desobsessão? O bom-senso diz que sim, que o socorro não pode ser negado a ninguém que procure a casa de caridade para ser amparado. Quando o Cristo esteve na Terra, realizava suas curas sem nada exigir ou perguntar de que crença os doentes eram. Simplesmente indagava se o enfermo tinha fé e se acreditava que poderia ser curado. Encontrando tais convicções, o Mestre fazia sua desobsessão e cura dos perturbados, pois sabia que essa ajuda espiritual mais tarde contribuiria para o despertar das consciências. Aos pecadores, aconselhava-os a não errar mais. Nos centros espíritas pode-se perfeitamente fazer o mesmo. Curar, sem exigir nada em troca. Se o paciente, depois de curado, quiser seguir outro caminho religioso, não se deve impedi-lo. O Espiritismo não é uma doutrina exclusivista. Mais tarde, o paciente acabará sendo reconduzido ao encontro com a verdade do Consolador.
A desobsessão não exige do enfermo que atinja o grau de "santidade" para que seja liberto do seu obsessor. Às vezes, basta que ele mude algumas atitudes perante a vida ou sua maneira de ver certas coisas para que a libertação aconteça. A experiência o tem demonstrado.
Existem casos em que a cura é demorada e outros onde não se conseguem resultados satisfatórios.
Mas a maioria das enfermidades obsessivas pode ser aliviada e mesmo curada em tempo que varia de 30 a 90 dias de tratamento.
4.0 – Técnicas de desobsessão
Alguns estudiosos do Espiritismo afirmaram que não existem técnicas para se tratar da obsessão e chegaram a depositar nas mãos dos Espíritos ou do tempo, a solução de casos, que se classificavam desde os mais comuns, até os mais graves na patologia obsessiva. Como veremos, as coisas não são tão simples assim. Existem fatores e providências que precisam ser observados nesse procedimento terapêutico, para que se consiga libertar definitivamente uma pessoa obsedada do seu obsessor. A isso denominamos técnicas de desobsessão.
A desobsessão envolve uma série de condutas tendo em vista livrar o obsediado de sua prisão mental.
A técnica básica do tratamento da obsessão fundamenta-se na doutrinação dos Espíritos envolvidos, encarnados e desencarnados. Doutrinar, significa instruir em uma doutrina. É isso que se vai fazer com o paciente, com sua família, se necessário, e com o Espírito que lhe atormenta. Atualmente o termo "doutrinar" vem sendo mudado por "esclarecer", que na verdade é a mesma coisa. Tudo uma questão de forma.
4-1 - Doutrinação do obsediado (indireta e direta):
Allan Kardec afirma que a pessoa obsedada precisa trabalhar para seu melhoramento moral e, diz textualmente, que a cura de quase todos os casos de obsessão têm solução através desse esforço. Portanto, a equipe de desobsessão deverá ajudá-la nesse procedimento de auto-melhoramento. Para isso se valerá da instrução direta e indireta do paciente. Veremos em outra parte do trabalho, que existem vários procedimentos (denominados coadjuvantes), que poderão ajudar o paciente nesse processo de libertação. Nessa parte do trabalho, porém, vamos falar somente da instrução considerada fundamental: a orientação na sala de entrevistas e o esclarecimento através das palestras.
Para o tratamento da maioria dos casos de obsessão, a instrução dada na sala de entrevista não será necessária. Basta que o paciente seja submetido às orientações vindas por meio das palestras doutrinárias (doutrinação indireta), realizadas nas reuniões públicas da casa. Associa-se a esse trabalho orientador, um ou dois métodos coadjuvantes e o resultado não demorará a aparecer.
É importante salientar que as reuniões de palestras públicas são as que se revestem de maior gravidade, justamente porque encarrega-se de despertar um novo homem cristão, sábio, bom e justo. Para maiores detalhes sobre a realização desse trabalho, consultar o documento "Reuniões Públicas", disponível no Grupo Espírita Bezerra de Menezes ou na Internet.
Nos casos de obsessão grave, que envolvam processos em degeneração, subjugação ou fascinação, será fundamental que o paciente tenha instrução semanal na sala de entrevistas (doutrinação direta).
São situações em que a pessoa enferma está sem condições de agir pela sua vontade ou tomar decisões a respeito de sua conduta. É nesse ponto que deverá entrar a orientação moral da Doutrina Espírita, ministrada por pessoa convenientemente preparada.
4-2 - Doutrinação do Espírito obsessor:
O codificador do Espiritismo, Allan Kardec, se expressa nos seguintes termos, a respeito da necessidade de se doutrinar Espíritos obsessores:
"Nos casos de obsessão grave... Faz-se também necessário, e acima de tudo, agir sobre o ser inteligente, com o qual se deve falar com autoridade, sendo que essa autoridade só é dada pela superioridade moral. Quanto maior for essa, tanto maior será a autoridade. E ainda não é tudo, pois para assegurar a libertação, é preciso convencer o Espírito perverso a renunciar aos seus maus intentos; despertar-lhe o arrependimento e o desejo do bem, através de instruções habilmente dirigidas com a ajuda de evocações particulares, feitas no interesse de sua educação moral" – (Capítulo 28:81).
Está claro que não se pode extinguir as obsessões graves se não houver um trabalho feito junto do Espírito obsessor, para convencê-lo a deixar de perturbar o obsediado. Isso só poderá ser feito por meio de sessões mediúnicas realizadas exclusivamente para esse fim (o paciente nunca deve estar presente). Através de evocações particulares, pode-se conseguir contato com o Espírito perturbador, obter dele informações dos motivos da perseguição e instruí-lo para que abandone seus intentos.
Todos os fatos narrados nessas comunicações mediúnicas são de caráter íntimo e não deverão ser revelados nem para o paciente, nem para outros membros do Centro Espírita que não façam parte da equipe que cuida dessa tarefa.
Pode-se dizer a uma pessoa que ela tem um problema espiritual e que será ajudada pela casa espírita, sem que se tenha de tratar de detalhes com ela. Dizer a alguém que está perturbado, que ele foi um carrasco ou um suicida numa outra encarnação, só vai complicar sua situação mental e deixá-lo mais desequilibrado ainda.
Ressaltamos que as condições morais elevadas do doutrinador e dos médiuns que vão tratar das evocações e instrução de obsessores são essenciais para o sucesso da tarefa libertadora nos procedimentos desobsessivos.
4-3 - Doutrinação da família do obsediado:
Na patologia obsessiva é muito comum se encontrar casos de obsessão que envolva a responsabilidade familiar nas causas da enfermidade.
Algumas famílias são formadas por Espíritos que viveram juntos em encarnações passadas e cometeram delitos graves contra alguém que, mais tarde, por guardar ódio no coração, tornou-se um obsessor. Quando nas investigações em torno da obsessão se suspeitar desse envolvimento, convém que a família do perturbado seja convidada a freqüentar a casa espírita pelo menos durante o período de tratamento. Isso poderá facilitar e apressar a obtenção de resultados satisfatórios.
Durante esse período de estadia da família nas sessões públicas, a Espiritualidade terá condições de inspirar bons pensamentos e resoluções junto aos seus membros, ajudando-lhes a encontrar novos caminhos para suas vidas.
Mesmo sem ter esse tipo de envolvimento, é muito importante que a família do assistido seja conscientizada de suas responsabilidades a fim de dar o apoio necessário ao doente, ajudando sobremaneira na recuperação deste, se souber agir com equilíbrio.
5.0 – Meios coadjuvantes
No tratamento da obsessão, chamamos de meios coadjuvantes as técnicas que complementam a instrução moral básica (direta e indireta) dos Espíritos envolvidos. São, por assim dizer, os meios mecânicos, com os quais se deve complementar o aspecto instrutivo. Sempre que possível, esses poderosos auxiliares deverão ser aplicados na terapêutica desobsessiva, pois se constituem em elementos que ajudarão a recuperação do paciente.
5-1 – Fluidoterapia:
Kardec, em "O Evangelho Segundo o Espiritismo", fala da necessidade da fluidoterapia no tratamento das obsessões da seguinte maneira:
"Nos casos de obsessão grave, o obsedado está como que envolvido e impregnado por um fluido pernicioso, que neutraliza a ação dos fluidos salutares e os repele. É necessário livrá-lo desse fluido. Mas um mau fluido não pode ser repelido por outro da mesma espécie. Por uma ação semelhante ao que o médium curador exerce nos casos de doença, é preciso expulsar o fluido mau com a ajuda de um fluido melhor, que produz, de certo modo, o efeito de um reagente. Essa é a que podemos chamar de ação mecânica..." – (Capítulo 28:81).
Os grupos que se dedicam à terapia desobsessiva deverão utilizar da fluidoterapia como um dos auxiliares no tratamento dos pacientes. Ela deverá ser ministrada semanalmente ao enfermo, através do passe (magnetização) e da água fluidificada, importante veículo que conduz o magnetismo humano e espiritual aos enfermos.
Nos casos de obsessões mais graves (degeneradas), os enfermos deverão receber magnetização, se possível, por mais de um passista. Isso será feito uma vez por semana, nas dependências do Centro Espírita, no período que antecede a palestra pública. Nos casos de extrema gravidade, a magnetização poderá ser feita diariamente, com visitas à casa do paciente.
Os passistas são os instrumentos utilizados pelos Espíritos para fortalecer o organismo perispiritual do doente, debilitado pela obsessão. A equipe deverá ter vida moral sadia, liberta de vícios grosseiros. Vivendo de forma equilibrada, esses companheiros estarão em condições espirituais para ajudar os sofredores, doando-lhes seus fluidos curativos.
O passe coletivo pouco ou nada significa para a desobsessão e deve ser usado só em casos onde, por falta de trabalhadores ou espaço, não puder ser aplicado individualmente.
Como vimos, na obsessão a atmosfera fluídica que circunda o paciente se torna sombria. O enfermo tem dificuldades para elevar seus pensamentos que jazem sob a opressão do baixo magnetismo, vindo das ligações psíquicas com o obsessor.
É preciso ajudá-lo a sair dessa situação e a fluidoterapia é um poderoso auxiliar dessa libertação.
Um grupo de passistas poderá projetar sobre a pessoa obsediada uma significativa carga de fluidos magneticamente elevados, expulsando do seu campo vibratório, as energias negativas.
5.2 – Leitura de livros espíritas:
Quando a situação psicológica do paciente for favorável será importante aconselhá-lo a ler alguns textos espíritas. No entanto, é preciso ter o cuidado de não sobrecarregar de leituras a mente enferma. Alguns enfermos obsidiados ficam com seu psiquismo confuso. No desespero, tendem a ler livros doutrinários dia e noite, favorecendo a obsessão e o desequilíbrio.
Na desobsessão, podemos aconselhar uma leitura diária leve, durante 20 ou 30 minutos. Os livros recomendados são os que trazem mensagens leves. O Evangelho Segundo o Espiritismo, Jesus no Lar (psicografia de Francisco Cândido Xavier) e outros do gênero poderão ser utilizados. Não se deve aconselhar que o enfermo estude O Livro dos Espíritos, A Gênese, O Livro dos Médiuns ou qualquer outro que exija um raciocínio mais profundo.
5.3 - Mensagens doutrinárias:
Pequenas mensagens espíritas, mediúnicas ou não, devem ser distribuídas ao povo e aos enfermos portadores de obsessão, nas reuniões públicas. Além de esclarecer pequenas dúvidas, elas também constituem-se em forte elemento de sustentação emocional para a recuperação da normalidade psíquica dos perturbados.
As mensagens mais comuns são as psicografadas por Francisco Cândido Xavier e Divaldo Pereira Franco.
5.4 – Prece:
A equipe responsável pelas entrevistas, deverá instruir o obsediado a orar todos os dias para facilitar sua libertação. A prece eleva o Espírito, liberta-o momentaneamente e o coloca em contato com as fontes energéticas do Bem. Alguns enfermos, por causa de sua doença obsessiva, não conseguem orar. Nesses casos, um outro membro da sua família poderá ajudá-lo, orando ao seu lado e, se necessário, em voz alta. Caso o paciente esteja em condições psíquicas para fazer a prece, ele será instruído a realizá-la, não só de coração, mas também proferindo o tradicional "Pai Nosso", que se reveste de importância especial para o tratamento das perturbações espirituais (ver documento doutrinário "A importância do Pai Nosso", disponível na Internet).
"Em todos os casos de obsessão, a prece é o mais poderoso auxiliar da ação contra o Espírito obsessor" – (Allan Kardec, O Evangelho Segundo o Espiritismo, 28:81).
5-5 - Trabalho no Bem:
Quando as condições psicológicas forem satisfatórias, deve-se orientar o paciente para que ocupe seu tempo com alguma atividade material. Os pacientes com obsessão costumam apresentar uma espécie de inércia psíquica. O enfermo carrega consigo uma tendência a afastar-se do trabalho e das relações com o mundo exterior. Seu mundo mental tende a fechar-se em si mesmo. A desobsessão precisa abrir este caminho e exteriorizar o mundo mental do paciente, trazendo-o novamente para a vida. O Espírito tem como um dos seus atributos ser útil. O trabalho é para ele uma normalidade. Só deixa de sê-lo quando ele está enfermo. A ocupação é, pois, um remédio capaz de contribuir para a melhoria ou cura de muitas enfermidades mentais, inclusive a obsessão.
5.6 - Cuidados médicos:
As obsessões graves podem levar alguns pacientes a um estado grave de desequilíbrio psíquico. Há casos crônicos em que a influência obsessiva atinge o organismo físico provocando enfermidades. Isso ocorre por causa do enfraquecimento fluídico do perispírito, fato comum nas obsessões. Quando um paciente obsediado é trazido ao Centro Espírita para tratamento, uma das primeiras perguntas que se deve fazer a ele ou à sua família é se já fez consulta médica. Caso ele já estiver medicado pela medicina terrena, o dirigente ou entrevistador não deverá suspender nenhuma medicação.
Importante - Só o médico poderá suspender o uso dos remédios. Com resultados satisfatórios no tratamento de desobsessão, o paciente começará a depender menos da medicação sedativa que utiliza. O entrevistador, quando perceber isso, poderá encaminhar o enfermo para uma avaliação junto do profissional competente. Se o médico achar conveniente, verificando suas condições psíquicas e emocionais, poderá suspender ou diminuir a dose da medicação utilizada. A responsabilidade pela suspensão ou alteração medicamentosa será inteiramente do profissional que é devidamente habilitado para isso.
Nota - Durante a entrevista, se o paciente informar que teve crises de ausência, desmaios ou dores de cabeça repentinas, deve-se ter o cuidado de averiguar se ele está em tratamento médico convencional. Caso isso não tenha sido feito, a equipe de atendentes cuidará do paciente, mas solicitará que consulte um profissional especializado. Tem-se que levar em consideração que existem anormalidades do cérebro físico, que são capazes de produzir sintomas emocionais e psíquicos, semelhantes à obsessão.
Conclusão
No trabalho que apresentamos, relembramos alguns conceitos doutrinários conhecidos e falamos da necessidade de se lidar com a obsessão de maneira racional, valendo-se de técnicas para se conseguir resultados satisfatórios no seu tratamento. Esperamos que esses escritos tenham contribuído para edificar o conhecimento dos que lidam com a problemática obsessiva nas casas espíritas. Todo esse processo de atendimento, de investigação e tratamento das obsessões pode e deve ser organizado de maneira prática e objetiva. O Grupo Espírita Bezerra de Menezes já fez essa organização e tem um estudo à disposição dos interessados, mostrando detalhes de todas essas fases do tratamento das perturbações espirituais. Esse trabalho doutrinário está à disposição das sociedades espíritas, assim como, os dirigentes que quiserem, poderão verificar "in loco" seu funcionamento.